terça-feira, 16 de novembro de 2010

Qualquer um pode aprender a comer aspargos devidamente bem.



Eu particularmente vivo em um mundo ao qual não queria e muito menos quero pertencer. Existem pessoas nele. Elas são como eu, mas completamente diferentes. Essas pessoas com seus modos de fazer que não me parecem ilegais. "Então", digo, "porque vivem essa vida tão desgraçada? tão rotineiramente chata?" pergunto. E eles sempre vão me responder, "eu vivo normalmente". O que eles chamam de normal, eu chamo de tedioso. Bifes, batatas, arroz e um pouco de feijão, suco de laranjas frescas e uma deliciosa sobremesa à espera. Nada passado. Nada que ja tenha idade suficiente para que julguem estar velho demais. Suas comidas são feitas ali, na hora. Eles pagam por isso. E o sexo? Bem, do sexo já não posso falar. É grotesco. Não me entra. Desagradavel.

No amor eles não sabem viver. As pessoas com seus modos de fazer, com suas gravatas baratas indo ao trabalho, suas maletas carregando suas almas e seus rostos esperando o proximo tabefe de seus patrões. No amor elas brincam. Não precisam de proteção, não querem proteção, são grandinhos demais para isso. Não gostam quando recebem carinho e atenção, mas protestam quando não recebem. No sexo fingem preocupação com seu companheiro, porem só sentem por si mesmos. As pessoas e seus modos de fazer tão regulados e mesquinhos.

Ela me telefonou às 2:00hs da madrugada com uma voz não das melhores. Havia bebido, chorado, gritado, não sei. Provavelmente estava cantando enquanto bebia alguma coisa. Ela me telefonou e queria algo de mim. Desabafo. Não se sentia a melhor, porque naquele momento a faziam sentir-se assim e isso era realmente deploravel. A usurpação do ser por nada. Brilhante. Ela simplesmente falava e falava e soluçava as vezes. Não sei se da bebida, do choro, da música, dos sonhos. Mas ela ainda estava ali, porque sabia que precisava estar.

- Vou sair. Dançar provavelmente e beber tambem. Dançar e beber.
- Otimo, faça isso.
- Aquele imbecil com seus modos de fazer - me enoja.
- É, imagino que sim.
- Você estava dormindo e eu te acordei, não é?
- Estive, não lembro quando.

E ela continuava falando e falando, agora sem solução e aquilo era magnifico. Creio que a bebida havia acabado. Suas expressões podiam ser imaginadas. Alem de tudo, da voz soluçando, tremula, a voz era sexy, envolvia.

- Preciso encontrar alguem. Uma garota de preferencia.
- Ou duas, talvez.
- Isso, duas. Vou dançar e beber. Aquele filho da puta.

Houve silencio. Não necessariamente silencio. Ouvia-se o som de boas goladas. Provavelmente eu havia errado sobre o fim da bebida. Talvez não. Mas ela não desistiria assim. Uma noite de bebidas e danças e garotas. Diversão. Tão diferente das pessoas e seus modos de fazer nada ilegais. Eu sou um delinquente qualquer, ninguem até. Ela uma garota, linda, e seus peitos como dois caminhos ao paraiso. Suas pernas bebericando tanto tesão e diversão, e sua boca salivando por uma noitada.

- Vou me vestir. Tenho drinks, danças e garotas para conquistar.
- Boa noite, boa sorte.

Voltei e dormi, igual as pessoas do meu mundo com seus modos de fazer. Mas não pertenço a eles, nem a isso, nem a mim.

Sendo dois um.

Pisar no coração aberto.

Sem cartas na manga.

Sou eu, só.
Antiga e recente.
Sou eu a vida
em minhas entranhas
embebidas de cerveja.

Menina dos meus olhos,
sou eu.
Nos delirios e em
minhas cervejas.

Amo minha pequena
menina
e minhas cervejas
e amo voce, quando
não te tenho mais.
___________________________________

Meias palavras e meias-calça.

Calma, meiga,
sensivel, ardilosa,
provocante, pacata,
viva.

Sentidos e simetrias
em mim, em meu corpo
e minha paixão.

Respirar por luxo
e debutar meu sexo
quando bem entender
e quando sempre
sentir.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sinto.

Sinto saudades de momentos que não tive
e sinto dos que pretendo ter.
De olhar teus olhos e saber
que os meus estão lá
em você.

E a cada gole de cerveja
uma lembrança
a mais me invadirá.
E envaidescido,
vislumbrado,
teus olhos quero beijar
mesmo que por fantasia.

Sinto saudades dos tempos
em que tua boca foi minha.
E sentindo falta procuro dizer
o quanto ainda resta para
isso acontecer.

E os teus medos?
quero que eles simplesmente se decidam,
se me encaram de uma vez
ou te deixam pra mim.
Só pra mim.

Sinto falta das tuas mãos me dizendo
o caminho.
Dizendo que não sei andar sozinho
e que preciso mesmo de você.

Sinto falta dos teus cabelos
e da cor que eles tem
e das raizes resmungando
que sem você não posso.

Sinto falta do ciume que não tens de mim
e com ciume, tu me diz que eu sou sim
a resposta para minhas perguntas:

Se queres mesmo ser só minha?
Se alguem no mundo te quer mais
do que eu?

E de sentir, de pouco em pouco
vou me realizando.
Até que sinta seus braços
me abraçando
e o meu corpo, enfim, colado no teu.

Menininha, eu sinto!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Síndrome da Excitação Sexual Permanente.



Todas aquelas mulheres
e suas maquinas de lavar
e seus aventais
e suas vontades, desejos
e tudo aquilo que elas não tem
mas possuem em dobro
e realmente elas são as melhores.

Na cama
a noite, pela manhã
pela tarde.
Qual hora seja, ou minuto.
Depende muito do parceiro.

E elas sabem como se deve amar
e se entregar, mesmo que incompletamente.

Todas essas mulheres que eu amo
e que eu vejo passando na rua
essas com vestidos verde-limao
essas com vestidos brancos
essas com vestidos vermelhos
as outras de calça lavagem escura.

E eu as vejo e quero possuir cada qual
à sua maneira.
Qual homem não se sente impotente
na frente da beleza de uma dessas mulheres
e daquelas e as outras!

Smiths na vitrola
e agora eu so queria uma dessas mulheres
e daquelas e as outras!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Escritos Sobre Prostitutas.



Cena 5.

Ela apertou-me contra seu peito, com força, a fim de que meus orgãos se redimissem de meu subito desaparecimento. Eu ja não a via a uma semana e aquela mulher é apaixonada. Reclamou dos dias e sentiu que devia apertar-me ainda mais, caso eu planejasse fugir novamente. Expliquei que a falta de dinheiro, era a culpada pelo ocorrido e que minhas saudades brindavam meu tesão e minha paixão latente. Ela esticou-me duas cervejas, que eu tratei logo de abrir, esticando-lhe uma. Sabia como me tratar e não se fazia de rogada. Era uma mulher com seus peitos marcados pela paixão, que infelizmente não eram retribuidos por outros. Era uma mulher que amava mais do que o normal, por não saber o que é amor. Era uma como outra qualquer, só que melhor. Aquela mulher que gemia como se estivesse em outro patamar e fazia tudo aquilo valer, como aquela cama realmente merecia.

Cena 6.

As camas, quando projetadas, sabem o seu real valor. As pessoas não. Algumas as compram e apenas dormem sobre elas, ou fazem seu sexo limpo, longe das safadezas tão naturais a dois corpos que se atraem. Camas de hospitais foram feitas para que seus ocupantes apenas gemam de dor. Camas grandes, de madeira maçiça, colchão confortavel, essas sim, precisam do gozo alheio. E era isso que faziamos por elas. Safados, compenetrados, dispostos. Amantes!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Qualquer Sorriso.



E ela dançava
e qualquer sorriso
era convite para alguma coisa
a mais.

Sorria
por que
qualquer brincadeira
era coisa seria.
Coisa de gente grande.

Aquela mulher
no alto de seus belos olhos
e seios e sorriso,
sabia que qualquer hora
era como Greta Garbo.

Era uma prostituta
dentro de suas limitações
dentro de suas paixões.
Uma prostituta de seus amores
melhores ou iguais, aos que tivera
quando seu coração pulsava.

Tinha menos de 30
mas parecia uma mulher
daquelas que se deve amar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não deixe de lado os sonhos.

Por deus, mulher, venha aqui
me de um daqueles abraços
e não se esqueça dos beijos também.

Trás acompanhado uma boa dúzia
de carinhos escondidos e
coloca por cima, pra temperar
uma boa foda. Daquelas.

Mulher, você sabe que seu molho
é o melhor que eu já provei
e, sinceramente, não me agrada
outras freguesias.

Trás de sobremesa tuas palavras
sinceras, ou não
mas que me acalmem
ou me façam dormir
daquele jeito que só você sabe
fazer.

E quando você mexe?
Nossa, é o que eu realmente desejo.
Quando você mexe e quando
você simplesmente me olha
com esses olhos temperados
de saudade ...