sexta-feira, 15 de abril de 2011

Essa mulher.

Essa Mulher.

Essa mulher que me
escreve e eu escrevo pra ela,
me conta o que se passa
em sua vida.

Me conta em riqueza os
detalhes do sexo,
da discussão, da receita,
dos filhos e do que bebe
e escreve.

Essa mulher me manda
todas as vezes, o seu número
de telefone, mas eu nunca
ligo para ela.

Mandei meu número,
na ultima carta, sem esperança.
Então:
"Alô?"
"Ei, é você?"
"Sim, infelizmente."
"Os garotos acabam de
quebrar a janela da frente
e eu trepei com dois
ontem a noite."
"Que bom. Adeus."
"Beijos em você, baby."

A conta do telefone dela
nunca mais vai
ser a mesma
depois dessa
ligação.

Um poema para ser esquecido.

Fiz um poema para ser
esquecido
sobre as flores sobre
a mesa.

Flores que ela
ganhou daquele outro cara.
E isso me incomoda
pouco.
Não por serem dadas por ele ..


Banalidades a parte.
As flores estão lá.
São reais.
E eu me pergunto:
Serei eu real?
Para mim ou
Para ela?
E porque diabos vim parar
aqui esta noite,
nesta cama,
nesta mesma vida?

Antes mesmo de se despedir.

Até pensei que mudar-se ajudaria.
Em vão.
Mudei-me e ela ainda me persegue.

Não tem nada em seu peito.
A caixa toraxica vazia, como vacuo.
Deve ter depositado o que se chama coração
em uma dessas caixas de papel que se embrulha com celofane.

"Porque me persegue?" questionei-a.
"Voce é um cara interessante e eu gosto de caras assim".
"E porque não pede logo que eu a coma?".
"Voce não seria capaz", disse ela,"Sou uma brasa".

Então mandei que fosse embora e terminei.

Existe razao para que se viva com frequencia?
A razao não sei, mas motivos podem ser encontrados
em pequenas coisas. Perseguiçoes, carros quebrados,
fotografias recortadas, aneis de formatura, iscas, molas,
tambores de percussão, no amor.

"Voce é o primeiro que vejo que é alguem hoje".
Que merda, persegue-me.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Naquela Mesa - Nelson Gonçalves

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor

Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim

Para Lucas, com saudade.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A Mar

Um mar vermelho.
Vermelho em seus cabelos,
olhos, em seus devaneios - talvez.
Vermelho como a brasa
desse cigarro.

Vermelho de um medo impuro,
insoluto, improprio.
Vermelho de uma vontade
viva dentro desses
olhos apelativos.

Um mar por onde
afogar-se
não seria mal,
muito pelo contrario.

Afogo-me em ideia,
em maneiras de pensar,
em palavras e em cada letra
dessas palavras.

Ah, esse MAR,
revolto e simples e
de uma beleza unica
e sedutora.
Beleza só dela,
o mar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Até você faria um poema assim.

Copo cheio, corpo cheio
cheios do mesmo cheiro
Cansados dos mesmos
sentimentos.

Casos pela metade,
casacos quentes,
Amor por devaneios,
tolos.

Mas há no mundo quem ame?
Há no mundo quem ame
mais do que amo?

Amo os copos, os corpos,
Amo os cansados
e amo pelas metades.
Os tolos, os casos
os casacos - os quentes.

Amo os devaneios e a realidade
de que o amor
sou eu
e você
e por fim
a vida.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

E nós?

E as meias que pedi
que lavasse?
E o amor que pedi que
me desse?

E o almoço que te fiz
essa noite?
E o jantar que prometi
para amanha?

E aqueles dois ou três
trocados para a cerveja?
E a razão que pedi
que perdessemos?

E você, mulher, que pedi
que fosse minha?
E tudo que espero que
me tenhas?
e o agora?